Experimente a sensação. Delicie-se e regojize-se de tal maravilha. Êxtase que te arrepia a medula quando sente seu toque... História minha dizer-te que não. Que não desejo; não quero; não importo; não almejo; não espero. Não sincero. História minha opositoriamente dizer-te que sim; sim, adoro; sim, venero; sim, acredito. Sim, miséria. Há um mar aqui. Com águas escuras, caminhos tortuosos e profundos. E imerso bem no fundo, já esquecido, um báu aberto.
Abandonado e mostrando grande pesar, residia um coração no mesmo. Quem tomou-o não o trouxe de volta e sangue ainda escorre lá. Encrustrado como uma raiz profunda, sobraste o desejo de que quem o tomou de suas fundações um dia viesse a trazê-lo de volta. Cancela-me os sentidos, cancela o sentido, cancela-me a vida, conceda me vida para tal viver. Inebriar-me de dor, do amor, da ilusão e desilusão. De doce, salgado, azedo ou amargo. De um, de dois, ou de todos. Do azul, como também do amarelo, verde ou vermelho. De raças, de flores, de horrores e miséria. Da sede e da fome, da gula e da luxúria. De mim. De você. De tudo. De nada. Me deixe experimentar. Estou preso em mim mesmo sem saber como escapar. O desejo de liberdade foge-me o controle. Me dê tudo que não quer, e tudo que poderia querer. Dê-me tudo e junto dê-me você, para isso também degustar e ver.
Dê-me tudo, para de tudo experimentar do saber.
Quão grande e forte é meu eu, despedaçando-me num só olhar seu!
Não me tome esse direito. Esse não!
Se me foi tomado direito de sorrir e me foi dado direito de sofrer
Me deixe ao menos retirar proveito disso!