domingo, 17 de janeiro de 2010

Pequeno príncipe.

Onde está aquele garotinho doce e inocente ? Ele esperava em baixo de uma árvore, na beira de um lago, com flores nas mãos, por sua querida princesinha. Mas porque todas as princesas se perdiam a caminho do encontro daquele pobre menino?

Será porque o amor já era sim antiquado, e as princesas deixaram de lado seus belos vestidos e vestiram mini-saias e foram a procura de garotos menos portados?

O menino esperou, esperou e esperou. E ao esperar se doeu, se questionou e procurou entender. Viu e reviu sua imagem refletida no lago, e procurou compreender porque não lhe davam devido valor. Porque essas garotas tão bonitas e com semblantes tão amáveis não se importavam comigo? se perguntava o garoto. Ele sentia o erro no ar, mas não compreendia. Ele olhava para o horizonte e como em um espelho, via o outro lado do lago, mas muito difuso, não depreendia o que estava a acontecer do outro lado.
E foram dias, semanas e meses nessa mesma situação, e seu coração já muito sofrido, começava a endurecer. Cada vez menos vezes ele visitava seu regaço de paz, o tão prezado recanto pacífico, e tampouco deitava ás suas plácidas margens. Ele olha para o outro lado e finalmente percebe a imagem que estava a ver, mas que não conseguia decifrar. Do outro lado do rio estava uma garota, quieta e solitária, a observar a paisagem. Bela como o ambiente ao redor, ela olhava para o céu, e seus olhos cintilavam com tamanho brilho jamais visto igual. Seus cabelos esvoaçantes batiam em seu rosto, era a criatura mais bela já vista.
Ele sabia que algo havia mudado. Porque nunca pode enxergar a garota? E porque logo agora, lhe era apresentado tal? A resposta jazia no lago. Ele observou seu semblante e viu então. O pequeno príncipe dos cabelos cacheados loiros e olhos azuis havia a muito crescido e amadurecido. Não era mais aquele pequeno e frágil garotinho a espera de uma princesa a passear pelo lago. Era um homem e devia portar-se como tal. O então crescido garoto com uma decisão imprudente, um punhado de coragem e uma intuição voraz mergulha de cabeça na vastidão do lago. E então percebe, que maior que sua vontade, seu coração ali enraizado residia, profundo e distante nas profundezas.

E tudo tornou-se claro. Todas as pessoas que o magoaram e o fizeram sofrer, não eram merecedoras de seu carinho e afeto. São poucas as quais devemos dispor amor. E em sua gana de amor, não compreendia tal fator. Aprender seu valor faz parte do amor a pessoa mais importante a qual devemos. Nós mesmos.
Não estava a afundar na profundidade das escuras águas, afundava na profundidade de seu próprio ser.

Maravilhado com a experiência, começa a volta à superficie, mas antes que pudesse alcançar, já estava sem folego, e aos poucos começa a esvair-se o ar em seus pulmões. Logo agora? pensou o garoto. Logo agora que amor tomava conta de si? Se apavorou com sua derradeira morte e se
desesperou. Não podia morrer, pensou. E foi seu último pensamento. De todos?
Essa história não foi escrita para provocar lágrimas, felizmente. Foi a última coisa que havia transpassado sua mente antes de enfim desfalecer. Quando abriu os olhos, estava sob a sombra de uma árvore.Olhou para os lados, uma vasta quantidade de água a frente. Era seu lago! O que havia acontecido? Havia tido um sonho? Ainda atordoado, começa a voltar aos sentidos, quando enfim repara que suas vestes estavam úmidas. E que estava deitado ao colo de uma bela garota.
Quem era ela? Lembrava dela de algum lugar, mas não podia se recordar da onde. Então o vento bateu em seu rosto e seus cabelos esvoaçaram e ele se lembrou.

Recordou-se de tudo e seu coração acelerou. Ela então fixa seus olhos nos dele, com uma feição carinhosa e maternal, e lhe pergunta:
"Acordou dorminhoco ?"
Então o garoto lhe responde:
"Me desculpe meu amor, acabei adormecendo, e tive um sonho tão estranho! Eu era um príncipe e..."

Mal sabia ele que debaixo das camadas de seu coração, era a terrivel realidade.

5 comentários:

  1. Que orgulho de voce menino, escrevendo tao bem. Parabens.
    beijinhos. Lu

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Abdin seu blog está cada dia melhor, porque vocês e seus textos estão amadurecendo.
    Eu leio sempre, e este realmente me chamou atenção ! parabééns, é emocionante

    Faby (:

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  4. Sabe,você me decepcionou duas vezes.
    Primeiro que logo pensei no príncipezinho que habitava o asteróide B612, sabe aquele que amava uma rosa da qual acreditava só existir uma em todo o universo?
    Depois porque acreditei mesmo se tratar de algo mais real. Achei que tinha achado uma solução pra quem ainda estava sentado em baixo da arvore com flores na mão...
    Mas não posso negar, como escreve bem!
    Parabéns jovem poeta.

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